Bagada escrito em 2 de Maio de 2026
As horas seguintes à rejeição histórica de Jorge Messias pelo Senado revelaram um mapa preciso de lealdades e ressentimentos dentro do Supremo Tribunal Federal. Conforme reportagem da colunista Malu Gaspar, do O Globo, o advogado-geral da União recebeu ligações e mensagens de solidariedade de diferentes ministros da Corte logo após a derrota. Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques e Gilmar Mendes telefonaram para oferecer palavras de conforto, demonstrando, segundo a colunista, "perplexidade e até abatimento" com o resultado.
Mas há um ministro cujas ligações Messias se recusa a atender: Alexandre de Moraes. Segundo aliados ouvidos por Malu Gaspar, o chefe da AGU considera "inadmissível" a articulação de Moraes contra sua aprovação no Senado. A movimentação do ministro foi detectada pelo próprio governo e detalhada em diversas reportagens: ao longo do dia da sabatina, Moraes teria enviado recados a senadores por meio de emissários, sugerindo inclusive, de acordo com a colunista, "aos que têm questões pendentes no Supremo que avaliassem bem como votariam".
A motivação de Moraes, segundo a reportagem do O Globo, era evitar que a chegada de Messias ao STF desequilibrasse o jogo de forças na Corte e empoderasse André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master e responsável pela homologação da delação premiada de Daniel Vorcaro. Malu Gaspar revelou em dezembro que a mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, fechou um contrato com o Master prevendo pagamento de R$ 130 milhões em três anos, o que torna o ministro um dos potenciais atingidos pela colaboração de Vorcaro.
Enquanto Moraes tentava insistentemente restabelecer contato, Messias buscou refúgio na casa de quem mais lutou por sua indicação. Ainda segundo a reportagem, após reunião com o presidente Lula no Palácio da Alvorada, o advogado-geral se dirigiu à residência do ministro André Mendonça, onde permaneceu até 1h da manhã. Os dois são evangélicos — Messias é da Igreja Batista, Mendonça é presbiteriano — e foram nomeados por Lula e Bolsonaro, respectivamente, em acenos ao segmento religioso.
Menos de uma hora após Alcolumbre proclamar o resultado, Mendonça publicou na rede social X: "O país perdeu a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo." E completou, dirigindo-se ao aliado: "Amigo verdadeiro não está presente nas festas; está presente nos momentos difíceis. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate!"
Na tarde de quinta-feira, Messias agradeceu publicamente, dizendo que o apoio de Mendonça "foi uma das maiores honras" de sua vida.
Quem não ligou para Messias após a derrota também é revelador. Segundo Malu Gaspar, o ministro Flávio Dino, com quem Messias se desentendeu quando ambos disputaram a indicação de Lula para a vaga hoje ocupada pelo ex-ministro da Justiça, não fez contato. Davi Alcolumbre também não fez nenhum gesto — os dois sequer se encontraram durante os cinco meses em que a indicação ficou parada entre o Planalto e o Congresso.
A reportagem do O Globo ainda informa que Messias pretende se demitir da AGU justamente porque o cargo exige despachos frequentes com ministros do STF e integrantes do Congresso. O advogado-geral alegou ao presidente Lula não ter condições de manter interlocução com quem trabalhou pela rejeição de seu nome, o que inclui Moraes, Dino e Alcolumbre.
Reprodução: Blog do Gustavo Negreiros


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