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Bagada escrito em 6 de Fevereiro de 2026

Sexo entre amigos: dá para curtir sem prejudicar a relação? Especialistas explicam

A amizade colorida sempre desperta curiosidade. Beijar ou transar com um amigo é fantasia de muitos, mas a dúvida sobre como isso afeta a relação continua. Pesquisas mostram que, quando bem conduzido, o sexo entre amigos pode até fortalecer o vínculo. Um estudo da comunicadora Heidi Reeder, da Boise State University (EUA), revelou que, entre 300 participantes, 20% já tiveram relações sexuais com amigos. Desses, 76% afirmaram que a amizade se tornou mais sólida, e metade acabou transformando o casual em relacionamento.

 

Mas a prática exige cuidado. Para a psicóloga Adriana Severine, "não existe uma regra universal, mas sim uma equação de vulnerabilidade". Ela explica que o vínculo se fortalece quando ambos têm maturidade emocional e veem o sexo como extensão da cumplicidade. Por outro lado, fragiliza quando é usado como "tapa-buraco" para carências ou substitui a comunicação verbal. "O que define o sucesso? A capacidade de ambos de sustentar o 'pós-sexo' com a mesma naturalidade do 'pré-sexo'", ressalta ao GLOBO.

 

Separar sexo de afeto, segundo a especialista, é quase impossível. "A liberação de ocitocina durante o orgasmo nos empurra para a conexão. Algum envolvimento emocional sempre existe; o segredo é se esse envolvimento é de 'cuidado amigo' ou de 'paixão romântica'", observa.

 

A sexóloga Camila Gentile reforça que a chave está no combinado e no alinhamento das expectativas. "Com certeza a comunicação e estabelecer o combinado é primordial. Isso pode evitar muitas frustrações e ajuda a entender a expectativa de cada lado. Um ponto importante é deixar claro que ninguém é de ninguém; e se surgirem relacionamentos futuros com terceiros, uma das partes deverá sempre se esforçar em manter a discrição", esclarece.

 

Quando apenas uma das partes cria expectativa romântica, Adriana recomenda honestidade e, em alguns casos, afastamento temporário: "Quem quer mais deve ser honesto consigo sobre o sofrimento de 'aceitar migalhas'. Quem quer menos deve evitar dar sinais ambíguos. Muitas vezes, é necessário um período de 'afastamento sanitário' para que os sentimentos recalibrem antes de voltarem a ser apenas amigos."

 

Para Camila, o equilíbrio depende também do momento de vida. "Vale a pena refletir se você está num momento de carência. Não recomendo se relacionar com um amigo nesse cenário. Agora, se ambos estão cientes de que é algo para curtir e temporário, por que não testar? Sexo entre amigos pode ser extremamente prazeroso e divertido!", afirma.

 

Sobre quem se dá melhor nesse tipo de relação, Adriana destaca a maturidade emocional como fator decisivo. "Funciona melhor para pessoas com estilo de apego seguro, que não vinculam sua autoestima exclusivamente à validação do outro, e que possuem uma vida plena fora daquela relação. A maturidade é a capacidade de entender que o prazer não é uma promessa de amor eterno", diz.

 

No fim das contas, seja para explorar limites, aprofundar a conexão ou simplesmente se divertir, essa relação exige comunicação, cuidado e consciência emocional. Sem atenção a esses aspectos, o que poderia ser uma experiência prazerosa pode rapidamente gerar frustração e distanciamento.

 

 

 

Reprodução: O Globo

 

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