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Bagada escrito em 4 de Março de 2026

Nada bom: indústria brasileira atinge 10 meses seguidos de retração

O setor industrial brasileiro voltou a registrar contração em fevereiro, marcando o décimo mês seguido de retração, ainda que em ritmo ligeiramente menor.


É o que aponta a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada nesta segunda-feira, compilada pela S&P Global. O índice avançou de 47,0 em janeiro para 47,3 em fevereiro, mantendo-se abaixo da linha de 50 que separa crescimento de contração, vigente desde maio de 2025.


Entre os segmentos, os bens de capital apresentaram o desempenho mais fraco, enquanto fabricantes de bens intermediários reportaram forte deterioração.
Por outro lado, as condições operacionais se estabilizaram no setor de bens de consumo. A produção industrial foi reduzida em meio à queda da demanda, que registrou o menor ritmo de entrada de novos pedidos em cinco meses.


As empresas destacaram fatores como demanda fraca, dificuldades no setor automotivo, concorrência acirrada e taxas de juros elevadas como principais responsáveis pela redução das vendas.


O comércio internacional também continuou em declínio pelo 11º mês consecutivo, com destaque para a retração de pedidos destinados à Argentina, Europa e Estados Unidos.
Apesar do cenário desafiador, houve aumento marginal no emprego em fevereiro, à medida que fabricantes buscaram preencher vagas para contratos pendentes e se prepararam para a demanda esperada com a Copa do Mundo 2026, que deve aquecer o consumo.


A expectativa por publicidade, investimentos e lançamentos de novos produtos ajudou a manter um otimismo moderado, embora o nível de confiança tenha caído para o menor patamar em dez meses.


Em relação à inflação industrial, os custos de insumos e os preços de produção avançaram. As empresas relataram a maior alta das despesas operacionais em sete meses, afetadas por tensões geopolíticas, volatilidade no mercado acionário e câmbio desfavorável.


O repasse desses custos levou os preços dos produtos brasileiros a subir no ritmo mais intenso desde julho de 2025.

 

Reprodução: Reuters; InfoMoney

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