Bagada escrito em 4 de Abril de 2025

Em uma longa reportagem publicada nesta sexta-feira (4), o jornal O Estado de S. Paulo aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu o último bastião de hegemonia política que ainda lhe restava: o Nordeste. Segundo o Estadão, a mais recente pesquisa Genial/Quaest expõe uma queda significativa na aprovação do governo federal justamente na região que por décadas foi sinônimo de fidelidade eleitoral ao PT.
De acordo com os dados divulgados, a aprovação do governo Lula no Nordeste caiu de 59% em janeiro para 52% em março. No mesmo período, a desaprovação saltou de 37% para 46%. A diferença entre os dois índices, que era de 22 pontos percentuais no início do ano, encolheu para apenas 6 pontos — tecnicamente, um empate dentro da margem de erro. Segundo o Estadão, isso representa o fechamento da chamada “boca do jacaré”, expressão usada por analistas para indicar a convergência entre aprovação e reprovação.
O jornal diz que o dado acende um alerta no Palácio do Planalto e no núcleo do PT, uma vez que o desgaste de imagem de Lula não está mais restrito a regiões tradicionalmente menos alinhadas ao petismo, mas já atinge seu eleitorado histórico.
O Estadão observa que o derretimento da aprovação ocorre, inclusive, em estados governados por aliados petistas, como Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte, e onde ministros estratégicos da gestão Lula têm origem, como Rui Costa (Casa Civil), Camilo Santana (Educação) e Wellington Dias (Desenvolvimento Social). Além da perda de apoio no Nordeste, a pesquisa mostra m queda de aprovação entre dois segmentos fundamentais para o lulismo: mulheres e os brasileiros de menor renda.
A reportagem analisa ainda que o modelo de transferência de renda, usado como principal instrumento de fidelização política no passado, perdeu o poder simbólico. O Estadão argumenta que o Bolsa Família, antes associado diretamente ao PT, agora é visto como política de Estado.
E, segundo o jornal, há uma mudança de mentalidade: muitos beneficiários desejam crescer por conta própria, longe da dependência de sindicatos e das amarras do Estado, o que contraria o modelo defendido historicamente pelo partido.
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