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Bagada escrito em 25 de Março de 2026

Diretor da Globo se demite após infartos e critica sobrecarga profissional na emissora

O jornalista Fabrício Marta, que por anos comandou a produção de reportagens na Globo, anunciou recentemente sua saída da emissora. Em postagem nas redes sociais, ele afirmou que a decisão foi motivada por “conjunturas internas que não combinavam mais com quem eu sou” e criticou mudanças organizacionais que, segundo ele, vêm “sucateando” os profissionais e gerando desorganização nos bastidores.

 

Marta relatou que, pouco antes de se desligar da empresa — às vésperas do Carnaval —, sofreu um infarto na redação do Jornal Nacional.

 

“Foram dois infartos: um sem cura e outro tratável, ao sabor da resiliência. A fisio cardíaca começará em três meses. Por enquanto, estamos tentando liquidar os trombos na área necrosada do coração. E tudo se deu às vésperas do Carnaval, na redação do Jornal Nacional. Foram duas semanas de CTI e um turbilhão de pensamentos de gente que não morre”, escreveu o ex-executivo.

 

Além da questão de saúde, Marta apontou problemas internos, como mudanças no programa Estagiar, cortes de horas extras e ordens de última hora de William Bonner no Jornal Nacional.

 

“Minha missão, na Globo, foi encerrada por escolhas mal dimensionadas. Para mim, com ou sem stents, sempre valeu o escrito. Não sou moleque e muito menos signatário de atitudes incoerentes”, afirmou.

 

Em seu desabafo, ele também criticou a sobrecarga de trabalho e o que considera falta de reconhecimento da emissora. Marta citou o produtor Helton Setta, que dedicou sete anos a uma pesquisa exibida no Fantástico sem receber crédito.

 

“Além de jornalista (UERJ), Setta é graduado em Ciências Sociais (UFRJ) e agora retornou à Uerj para integrar a primeira turma de Arqueologia. Fala inglês, espanhol, alemão e italiano, mas nunca foi convidado para qualquer função nos escritórios internacionais da Globo. E, agora, a cereja do bolo: está há 10 anos sem uma promoção. Repetindo: 10 anos. Eu, como chefe de produção, jamais assinaria esse recibo”.

 

Outra crítica de Marta envolve o programa Estagiar, voltado à seleção de jovens talentos. Segundo ele, a iniciativa foi desconfigurada, privilegiando estagiários de universidades privadas em detrimento de candidatos de diferentes origens.

 

“O Estagiar cansou de pescar estagiários na PUC, porque eram tão maravilhosos quanto os cotistas da Uerj, UFRJ, UFF, UFRRJ e por aí vai. Os tempos mudam, mas não há nota em pingo d’água. Sabe aquela tal diversidade? Pois é!”, afirmou.

 

Marta também relatou o impacto do corte de horas extras sobre sua equipe. “Fui convidado a convocar produtores que ganhavam horas extras e avisá-los sobre o corte, no facão, já no mês corrente… Deixar a Globo é deixar um sistema adoecido pela falta de sensibilidade e nutrido pela malandragem”, criticou.

 

Por fim, o ex-executivo disse que, após oficializar a demissão, voltou-se à fé. “Quando fiz a minha homologação, em seguida rezei uma missa, na Igreja de São José, na Lagoa, em intenção a Roberto Marinho. Sou grato, se não fosse ele, não seria quem sou hoje. A missa foi também um jeito de dar um ‘pedala, Robinho’ no ‘Dr.’, amistosamente. Disse a ele que o patrimônio está virando pó”.

 

 

Reprodução: Terra

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