Bagada escrito em 3 de Fevereiro de 2026
A colunista Mônica Bergamo, em publicação nesta terça-feira (3) na Folha de S. Paulo, trouxe à tona uma movimentação de bastidores que pode elevar a temperatura em Brasília.
De acordo com a jornalista, o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem sinalizado a pessoas de sua confiança a intenção de retaliar Lula.
O motivo seria o incômodo com os constantes ataques públicos do mandatário em relação à fraude financeira bilionária que atinge a instituição. Vorcaro acredita que as declarações presidenciais estão asfixiando sua margem de manobra tanto nas esferas políticas quanto nos tribunais.
Estratégia de exposição e nomes envolvidos A tática de resposta planejada pelo empresário envolveria o uso de vazamentos direcionados para atingir figuras do alto escalão do governo com quem ele possui ou possuiu proximidade.
Entre os possíveis alvos dessa “exposição seletiva” estariam nomes de peso como o ministro da Casa Civil, Rui Costa; o ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski; o líder governista no Senado, Jaques Wagner (PT-BA); e o economista Guido Mantega, que ocupou a Fazenda em gestões anteriores do PT.
A ideia por trás da manobra seria forçar o Partido dos Trabalhadores a dividir o desgaste da crise de imagem enfrentada pelo Master. Ao mesmo tempo, a estratégia preservaria aliados de partidos de centro, mantendo pontes políticas em outras frentes.
Em contrapartida, interlocutores do banqueiro tentam dissuadi-lo da ideia, ponderando que o discurso de Lula não é um ataque pessoal, mas uma medida de autoproteção política para evitar que o escândalo da instituição financeira contamine a popularidade do governo em um ano de eleições.
O histórico das declarações presidenciais Até o momento, o presidente Lula abordou o caso do Banco Master em três ocasiões distintas. O episódio de maior impacto ocorreu em Maceió, durante um evento de habitação popular, quando o petista criticou abertamente a conduta da empresa e de seu dono:
“Não é possível que a gente continue vendo o pobre ser sacrificado enquanto tem um cidadão do Banco Master que deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”.
Na mesma fala, o presidente sugeriu que a proteção conferida a Vorcaro se deve ao fato de que “falta um pouco de vergonha na cara nesse país”.
Em outros momentos, as críticas foram feitas de forma mais contida ou indireta. No dia 15, ao empossar Wellington César no Ministério da Justiça, Lula mencionou que pretendia se alinhar com órgãos investigativos para “mostrar que o Estado brasileiro vai derrotar o crime organizado”.
Posteriormente, na abertura do ano judiciário no Supremo Tribunal Federal, o presidente voltou ao tema sem citar nomes, mas fazendo alusão à Operação Carbono Oculto:
“Com a operação Carbono Oculto, o Poder Judiciário, a Polícia Federal e a Receita Federal chegaram aos mandantes do crime organizado. Magnatas do crime, que vivem no andar de cima, que não estão nas comunidades, e sim em alguns dos endereços mais nobres no Brasil e no exterior”.
Posicionamento da defesa Procurada, a equipe jurídica de Daniel Vorcaro rechaçou qualquer hipótese de que ele esteja planejando ataques ao Palácio do Planalto.
Os advogados negaram veementemente os boatos de vazamentos seletivos e afirmaram que o empresário é, na verdade, alvo de narrativas distorcidas. Leia a íntegra da nota enviada:
“É falsa a alegação de que Daniel Vorcaro teria se irritado com o presidente da República ou feito qualquer tipo de manifestação nesse sentido. Também são falsas as ilações sobre vazamentos ou recados políticos atribuídos a ele. Daniel Vorcaro é, inclusive, um dos maiores prejudicados por vazamentos seletivos e pela divulgação de versões distorcidas dos fatos. Atribuir a ele comportamentos ou intenões sem que tenha sido sequer consultado configura narrativa inverídica. A defesa reafirma que Daniel Vorcaro segue exercendo seu direito de defesa dentro dos canais legais”.
Foto: EBC; Fonte: Congresso em Foco; Folha de SP



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