Bagada escrito em 7 de Maio de 2026
O CEO da Latam, Jerome Cadier, levantou um alerta sobre os possíveis efeitos da proposta que prevê o fim da escala 6×1 no Brasil. Segundo o executivo, a mudança nas regras de jornada pode afetar diretamente a aviação comercial e até inviabilizar operações internacionais a partir do país.
Durante a teleconferência de divulgação dos resultados da companhia, Cadier afirmou que o modelo em discussão não dialoga com a realidade do trabalho dos aeronautas, cuja rotina frequentemente ultrapassa a carga diária tradicional.
Ele foi direto ao apontar os riscos: “Se um projeto assim for implementado, o Brasil não vai ter mais operação internacional”, disse o executivo.
A proposta em debate no Congresso prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, além da adoção de dois dias consecutivos de descanso, no formato 5×2, sem cortes salariais. O texto também faz parte de uma PEC que vem sendo tratada como prioritária por parlamentares.
Apesar das críticas, Cadier demonstrou confiança de que o Legislativo deve promover ajustes ao texto, levando em conta particularidades de algumas categorias, como pilotos e comissários de bordo.
No setor aéreo, as regras atuais já estabelecem normas específicas para jornada, tempo de voo e descanso. Em operações internacionais, por exemplo, a legislação permite diferentes configurações de tripulação, com períodos de trabalho que variam entre 9 e 16 horas, dependendo do tipo de voo.
Enquanto isso, o governo federal tem reforçado a defesa do fim da escala 6×1. Em campanha recente, o Executivo destacou que a medida poderia beneficiar cerca de 37 milhões de trabalhadores em todo o país.
No Congresso, a proposta também ganhou ritmo acelerado. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, tem priorizado a tramitação da PEC e convocado sessões ao longo da semana para avançar na análise do texto. A movimentação ocorre em meio ao cenário político pré-eleitoral, com a proposta ganhando visibilidade pública.
Paralelamente, representantes do setor produtivo demonstram preocupação com os impactos econômicos da mudança. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a medida pode elevar custos de produção e serviços, além de pressionar a inflação e reduzir o poder de compra da população.
Reprodução: Direita Online


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