Bagada escrito em 21 de Janeiro de 2026
O policial federal aposentado José Fernando Honorato faleceu, vítima de câncer de pâncreas, aos 58 anos, após quase dois anos sob medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Honorato foi preso em janeiro de 2023 por suposta participação nos atos do dia 8 daquele mês, em Brasília. Na ocasião, ele foi identificado por meio de vídeos que registrou no interior do STF, pouco após a invasão ao prédio.
Segundo a versão apresentada por ele à Justiça, no dia dos atos, saiu de casa pela manhã para visitar uma feira de automóveis e retornou para almoçar sozinho com marmitas compradas em um restaurante da região. Em seguida, decidiu ir ao cinema, mas mudou de trajeto ao ver um comboio da Polícia Militar do Distrito Federal, seguido por unidades do Batalhão de Operações Especiais. Movido pela curiosidade, seguiu os veículos até a Praça dos Três Poderes e, na sequência, entrou no prédio do Supremo.
Além dos vídeos, a presença frequente dele no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército também foi usada como elemento de acusação. Ele respondia pelos supostos crimes contra o Estado Democrático de Direito, previstos na legislação penal.
O ex-PF passou meses no Complexo Penitenciário da Papuda, mesmo sendo policial aposentado e com três filhas menores de idade. Nos primeiros 80 dias de cárcere, perdeu 15 quilos e apresentou quadro de depressão.
Em dezembro de 2023, o ministro Alexandre de Moraes autorizou sua liberdade provisória após a identificação de uma lesão no pâncreas. Confirmado o diagnóstico de câncer, Honorato passou a cumprir medidas cautelares. A tornozeleira dificultou o tratamento. A liberação definitiva só foi concedida um mês antes de sua morte, quando já estava internado sem previsão de alta.
Honorato também enfrentou dificuldades financeiras. Por decisão do STF, teve seus bens bloqueados ainda no início da investigação. Desde fevereiro de 2024, ele passou a receber apenas um salário mínimo. A aposentadoria integral, de R$ 19 mil, só ficou disponível dois dias antes de sua morte.
O ex-policial veio a óbito sem ter sido ouvido em audiência e sem qualquer condenação judicial. A ação penal foi extinta em razão do falecimento.
Reprodução: Conexão Política


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